sexta-feira, 13 de junho de 2008

Elis

"A gente sempre gosta de verdade, eu sempre gostei de verdade, mesmo no começo quando tudo era novo, eu era bobo. A gente diz que gosta e pronto. Mas a gente quer a pessoa pra gente, quer beijo, quer abraço, quer a pessoa nossa legalmente. Ter legalmente. E quando não precisa de nada disso? Quando só basta estar perto, ver um sorriso, sentir a pessoa respirando, falando, rindo, tão perto... E quando é assim? É mais que gostar? Sentir isso é estranho. A gente não tem garantia nenhuma de sentimento, de momento, a gente não sabe nem o que fazer com nós mesmos.
"E agora? Não consigo mais me apaixonar por ninguém, na minha cabeça é só você". Parece que a pessoa entra na tua vida de uma maneira tão inexata, que não consegues traçar o caminho pra apagar os rastros que ela deixou. Ela entra, bagunça as coisas, joga o jeans no sofá, tira as coisas do lugar, e tudo fica muito cômodo pra ti. Um cômodo incômodo. Queres arrumar, mas é tão familiar daquele jeito, deixa tudo tão mais confortável...
"Não reclame, meu filho, poderia ser pior". Não tô reclamando, aliás eu tô... De onde saiu tudo isso? Desde quando não se pode arrumar a própria vida e expulsar o intruso? Onde já se viu? Tenho que aprender a me organizar mais, a tornar a entrada aqui nesse meu cantinho mais cruel. É...eu tenho que ser mais cruel. Mas, peraí... cruel o que? Todo mundo sabe que pareço manteiga, qualquer umazinha me deixa assim. Mentira, não é. Só tô querendo justificar o porquê, o porquê desta última indivídua que deixou tudo tão fora de lugar, e de um jeito tão magnífico que eu não me importo com a bagunça. Preciso definitivamente chamar alguém pra arrumar isso aqui. Vou ligar praquela Outra garota, ela sim sabe como arrumar. Não, a Outra não. Não existe Outra, eu sei que na minha cabeça só dá a dona desse jeans. Eu quero rasgá-lo, na verdade eu poderia estraçalhá-lo, mas poderia também deixá-lo aí e até dormir agarrado com ele quando a falta dela fosse forte a tal ponto.
Maldita. Maldita porta desse meu canto inútil! Eu não consigo nem me esconder no meu canto, não consigo arrumar, qualquer uma entra aqui e pinta a casa do jeito que quiser. Vou deixar isso mais seguro, quem sabe não compro um alarme daqueles, daqueles que apitam quando entra alguém estranho. Mas... eu nunca ligo pros alarmes. Na verdade, eu ignoro completamente.
Faz tanto tempo que não a vejo, acho que ela daria uns bons palpites pra nova decoração do meu quarto, daqueles toques que só ela dá. Eu deixo tanto, eu quero tanto. Eu quero nem que seja só pra olhar ela bagunçar tudo. É isso... no fundo eu adoro que ela bagunce. Ela não pode vir morar aqui, então eu deixo que ela só bagunce, fazendo de conta, brincando de arrumar a casa, de bagunçar como se fosse nossa, como se morássemos juntos aqui. Uma brincadeira, uma piada. Fazendo de conta que esse mundo é de nós dois. Sem Outra, sem Outro. Cruel, muito cruel..."

terça-feira, 10 de junho de 2008

Do jeito que você queria

vontade de ficar sozinha só pra saber se você ia ou vinha quando deixou esse bagaço no meu peito pedaço estreito defeito na mercadoria do jeito que você queria
Hoje acordei com a impressão de que tudo o que eu quero está tão perto, mas assim mesmo eu deixo tão longe...Não consigo entender meus pensamentos, não consigo entender meus porquês, e mesmo assim ainda fico triste porque ninguém me entende.